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Ó retrato da morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti somente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.

Manuel Maria Barbosa du Bocage



Escrito por Carlos às 13h06
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Enlouquece quem ama - é um delírio

da mocidade, porém mais amarga

sua cura, quando nossos ídolos despem

um a um os encantos, que os vestiam,

e mais valor não vemos, nem beleza,

fora do que ideamos; mas ainda

esse fatal condão nos prende e impele,

semeando ventos e tufões colhendo.

O tenaz coração, sua alquimia

começada, mais perto julga o prêmio

e ter mais ganho, quando perdeu tudo.

 

Da sua própria beleza adoece o espírito,

com falsas criações febricitando:

Onde a alma do escultor apanha as formas?

Em si só. Pode ser a natureza

tão bela? Onde os encantos, e as virtudes,

que ousamos conceber, quando meninos,

e em homens perseguimos - paraíso,

que de alcançar desesperamos, quando

pena e pincel de mais sobrecarregam

a página, em que florido o quiséramos?

 

Lorde Byron



Escrito por Carlos às 12h46
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